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Saúde Animal: Diabete em animais

8 de março de 2011  •  Saúde Animal

Diabete em animais
Diabete é um assunto sério!

Entendendo um pouco mais sobre diabete

O pâncreas: insulina e glucagon

O pâncreas é um órgão que fica localizado próximo ao intestino delgado, é uma glândula endócrina (produz a insulina e glucagon que são liberados no sangue) e exócrina (produz também enzimas digestivas que são lançadas diretamente no intestino).  Os alimentos são quebrados em pequenas moléculas e uma delas é a glicose, que fornece energia para todas as células do corpo. A glicose é absorvida e fica disponível no sangue, mas para que o corpo possa utilizá-la ou armazená-la, é necessário um hormônio peptídico (insulina) que funciona como se fosse uma ponte, permitindo a passagem da insulina do sangue para as células.

Quando há bastante glicose no sangue a insulina é liberada pelo pâncreas e quando o animal está com pouca glicose no sangue (quando está há muito tempo sem comer) o pâncreas libera o glucagon, que é responsável pela quebra das reservas energéticas presentes no fígado ou tecido adiposo, por exemplo, para disponibilizar energia.

Diabete mellitus tipo I ou dependente de insulina

Neste caso há a diminuição na disponibilidade de insulina, que pode ocorrer por diversos motivos como problemas na sua produção, infecção e inflamação no pâncreas ou problemas imunológicos. É um problema muito comum em cães, principalmente adultos, e a incidência é maior em fêmeas.  Os sinais mais comuns são: ingestão acentuada de água e alimentos, perda de peso, fraqueza e catarata bilateral. Os animais com diabetes podem ser mais susceptíveis às outras doenças e apresentá-las de forma crônica.

O tratamento para este tipo de diabete constitui na reposição de insulina para que seu metabolismo energético possa funcionar normalmente. A dosagem é ajustada pelo médico veterinário até encontrar a que o animal melhor se adapte.

Diabete mellitus tipo II ou independente de insulina

Neste caso há produção normal de insulina, porém existe uma dessensibilização dos receptores dela nas células do animal para que ocorra o transporte da glicose e resistência à insulina. Ocorre geralmente em animais obesos. Os sintomas são praticamente os mesmos e o tratamento constitui na redução de peso, restrição calórica e tratamento com drogas que sensibilizam os receptores de insulina ou aumentem a produção do hormônio, de acordo com a avaliação do veterinário.

Uma das forma de diferenciar estes dois tipos de diabete é fazendo um simples exame onde se detecta a quantidade de insulina no sangue do animal, é feito após a refeição e também em jejum. Se houver suspeita de diabete e o animal tiver baixa quantidade de insulina nestes casos pode estar sendo acometido pelo tipo I, caso a dosagem de insulina estiver normal, do tipo II.

Referências consultadas:
CARLTON, W. W.; MCGAVIN, M. D. Patologia Veterinária Especial de Thomson. 2ª edição. Porto Alegre: ArtMed, 1998.
COSTANZO, L. S. Fisiologia. 2 ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

A seção "Saúde Animal" é escrita pela médica veterinária Dra. Juliana Baboghlian.

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Imagem: Getty Images